Grécia: Proposta de Tsipras é recebida com decepção pelos gregos

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“Quando dizemos que não, queremos dizer não.” Cartazes com esse lema povoavam na sexta-feira as coloridas ruas do bairro da Exarchia, reduto de movimentos sociais, esquerdistas e anarquistas, convocando uma manifestação contra a austeridade na próxima segunda-feira.

 

GREGO

“As pessoas estão muito decepcionadas. São as mesmas medidas que havia antes do referendo”, afirma Panayiota, balconista num bar do bairro. É verdade que a proposta agora apresentada pelo Governo deAlexis Tsipras não chega a ser idêntica àquela que 61% dos gregos rejeitaram no plebiscito de domingo passado, mas ela se parece bastante com outra, que Bruxelas colocou sobre a mesa posteriormente, levando em conta as exigências gregas. E isso, para muitos atenienses que apoiam o Governo esquerdista do partido Syriza, representa um passo atrás.

“Não foi para isto que votamos não”, lamentava-se a bancária Anna. Em seu trabalho, conta, começavam a correr na sexta-feira boatos de que as instituições financeiras voltarão a abrir suas portas em breve, após quase duas semanas de corralito [restrição de saques], mas que os controles de capital continuarão em vigor por mais algum tempo, para evitar o pânico bancário. “Atualmente, o que os bancos mais temem é que haja reestruturações e fusões, porque o recesso bancário os deixou em más condições”, diz ela. Fontes dos bancos afirmaram à Reuters, entretanto, que os bancos continuarão fechados durante toda a semana que vem.

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Depois de conhecer o novo pacote de reformas na noite de quinta para sexta-feira, milhares de internautas gregos criticaram duramente o Governo na rede social Twitter, fazendo da hashtag #ExplainNoToTsipras (“explique não a Tsipras”) o trending topic na Grécia.

“Claro que não sei por que convocaram o referendo, se agora nos trazem medidas de austeridade iguais ou piores que aqueles que rejeitamos”, queixava-se Efi, funcionária de uma agência de viagens, enquanto fazia fila num caixa para sacar os 60 euros por dia (cerca de 210 reais) autorizados pelo corralito: “Está claro que o Governo queria sair fortalecido para a negociação, mas eu continuo não vendo sentido.”

Outros eleitores do não, por sua vez, são mais contemporizadores, como o florista Georgios Mutazis, apesar de passar dias a fio sem vender um só buquê. “Não é só pelo corralito, é porque as pessoas não têm dinheiro devido à crise”, observa. “A situação está muito difícil para o nosso Governo e para a Grécia, embora também para outros países do sul [da Europa]. E Tsipras fez o que pôde, embora afinal tenha precisado aceitar medidas que continuarão nos sufocando.”

Ou, como diz o livreiro Vasilis: “não nos fez ganhar como povo. É verdade que agora precisamos aceitar as mesmas medidas, mas eu voltaria a votar não, mesmo que nos expulsem do euro”.

No bairro de Kolonaki, um dos mais ricos de Atenas, onde o simtriunfou amplamente, todos os entrevistados respiravam aliviados com a perspectiva de um acordo com os credores. “Essas novas medidas de austeridade não são justas nem serão a solução para a economia, mas o importante é que avancemos no acordo”, opina a médica Maria Taga: “Em toda negociação é preciso procurar um compromisso, e acredito que Tsipras cometeu um erro ao convocar o referendo. Mas nosso primeiro-ministro é jovem e inexperiente, ele vai aprender”.

A maior parte da imprensa, apesar de boa parte dela ser contrária ao Governo esquerdista, salienta que as propostas enviadas a Bruxelas, a despeito das novas medidas de austeridade incluídas, aproximam as partes de um acordo entre Atenas e as instituições credoras.

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